Fechou julho e quer saber se vai estourar o teto? O limite proporcional do MEI serve exatamente para isso: o limite legal é anual (R$ 81.000 em 2026), mas dá para projetar o ano inteiro dividindo por mês. São R$ 6.750 por mês — o que significa R$ 47.250 de janeiro a julho.

Se você passou dessa marca, ainda não estourou nada. Mas está no ritmo de estourar. E a diferença entre agir agora e descobrir em dezembro pode ser de milhares de reais em DAS recalculado.

Como funciona a régua do limite proporcional do MEI

Atenção a um ponto que confunde muita gente: a régua mensal não é uma regra legal. Ninguém é desenquadrado por faturar R$ 10 mil em um mês. O que a lei olha é o total do ano-calendário.

A proporcionalidade só é obrigatória em um caso: quando o CNPJ é aberto no meio do ano. Aí o limite passa a ser R$ 6.750 multiplicado pelo número de meses de atividade, incluindo o mês de abertura.

Para quem já era MEI em janeiro, a régua é apenas um termômetro — e um bom termômetro:

Até o fim deRégua acumuladaO que significa passar
MarçoR$ 20.250Ritmo acima do teto anual
JunhoR$ 40.500Meio do ano com metade do limite consumida
JulhoR$ 47.250Sinal amarelo: hora de projetar o fechamento
SetembroR$ 60.750Sinal vermelho se já passou
DezembroR$ 81.000Limite legal do ano

A conta de projeção é simples: divida o que você faturou de janeiro a julho por 7 e multiplique por 12. Se o resultado passar de R$ 81.000, o desenquadramento está no seu caminho.

Os três cenários de quem passa do limite do MEI

O tamanho do excesso muda completamente a consequência. São três faixas:

Faturamento em 2026O que aconteceEfeito do desenquadramento
Até R$ 81.000Continua MEI normalmenteNenhum
De R$ 81.000 a R$ 97.200 (excesso de até 20%)Segue como MEI até dezembro e recolhe a diferença sobre o excessoPassa a ME em 01/01/2027
Acima de R$ 97.200 (excesso maior que 20%)Desenquadramento retroativo a janeiro de 2026DAS recalculado como ME desde janeiro, com juros e multa

Cenário 1: projeção até R$ 81.000

Nada a fazer além de acompanhar mês a mês. Vale só um alerta: se o motivo de estar dentro do limite é recusar trabalho para não estourar, o MEI já está custando faturamento — e aí a migração para ME é decisão de crescimento, não de obrigação.

Cenário 2: entre R$ 81.000 e R$ 97.200

É o cenário mais confortável entre os dois de estouro. Você permanece MEI até 31 de dezembro, declara o excesso na declaração anual (DASN-SIMEI) e recolhe complementarmente sobre a parcela que passou do limite, já pelas regras do Simples Nacional. O desenquadramento tem efeito em 1º de janeiro de 2027.

Cenário 3: acima de R$ 97.200

É o cenário caro. O desenquadramento retroage a 1º de janeiro de 2026 (ou à data de abertura, se o CNPJ foi aberto durante o ano). Todo o faturamento do ano é reapurado como microempresa no Simples Nacional, via PGDAS-D, com juros e multa sobre o que deveria ter sido pago mês a mês — e não apenas o DAS fixo de MEI.

Na prática, quem está a caminho dessa faixa em agosto tem uma janela curta para organizar a migração antes que a conta vire retroativa.

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Exemplo: como projetar o fechamento do ano

Marcos, prestador de serviço. Faturou R$ 58.800 de janeiro a julho. A projeção é direta: R$ 58.800 ÷ 7 = R$ 8.400 por mês, que em 12 meses dá R$ 100.800. Isso o coloca acima de R$ 97.200, ou seja, na faixa de excesso maior que 20% — a do desenquadramento retroativo.

Agir em agosto não apaga o excesso, mas muda tudo no caixa: dá tempo de provisionar o DAS recalculado, organizar a escrituração dos meses já corridos e estruturar a empresa como ME antes que a conta chegue somada com juros e multa em uma única vez.

Carla, artesã com loja on-line. Faturou R$ 41.000 até julho. Projeção: R$ 70.285 no ano — dentro do limite. Só que o segundo semestre dela concentra Black Friday e Natal. Se novembro e dezembro dobrarem a média, ela passa dos R$ 81.000 sem perceber. Para quem tem sazonalidade forte no fim do ano, a régua de julho precisa ser lida com folga, não no limite.

Refazer essa conta todo mês é o que separa a migração planejada do desenquadramento com fatura retroativa.

Não conte com o novo teto do MEI para 2026

Existe projeto em tramitação para elevar o teto do MEI e permitir a contratação de mais de um funcionário. A discussão avançou com a instalação de comissão especial na Câmara, mas a equipe econômica pediu prazo para avaliar o impacto nas faixas do Simples — estimado na casa de R$ 8,1 bilhões — e a votação ficou para depois do recesso.

Dois pontos importantes: nada foi aprovado e, mesmo que seja, um novo limite não retroage para perdoar o excesso de 2026. Quem estourar este ano será desenquadrado pela régua atual. Acompanhe o status no nosso post sobre o novo teto do MEI adiado.

Por que migrar para ME antes de ser obrigado

Para dimensionar quanto passaria a pagar como ME, confira a tabela do Simples Nacional e, se o estouro já aconteceu, veja o passo a passo em MEI que estourou o limite.

Perguntas frequentes sobre o limite do MEI

Qual é o limite do MEI em 2026?

R$ 81.000 por ano-calendário, o que equivale a R$ 6.750 por mês em média. Para CNPJ aberto no meio do ano, o limite é proporcional aos meses de atividade.

Faturei R$ 12 mil em um único mês. Perdi o MEI?

Não. O que conta é o total do ano. Um mês forte só é problema se o acumulado do ano-calendário passar de R$ 81.000.

Quanto pago de imposto sobre o excesso?

Depende do tamanho do excesso e da atividade. Até 20%, há recolhimento complementar sobre a parcela excedente pelas regras do Simples. Acima de 20%, todo o ano é reapurado como ME, com juros e multa.

Posso pedir o desenquadramento por conta própria?

Sim, a comunicação de desenquadramento é feita pelo próprio contribuinte no Portal do Simples Nacional. Feita na hora certa, evita o efeito retroativo.

Vou pagar muito mais imposto como ME?

Sai do DAS fixo para um percentual sobre o faturamento — em serviços do Anexo III, a partir de 6%. Com Fator R e enquadramento corretos, a carga costuma ser bem menor do que o empresário imagina.

Faça a conta agora, não em dezembro

Agosto é o melhor mês para essa conversa: sobram cinco meses para ajustar o fechamento ou preparar a migração com calma. Em dezembro, as opções já são só duas — e a mais provável é a mais cara delas.

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Fontes oficiais

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