O Fator R na prática é a diferença entre começar pagando 15,5% ou 6% de imposto no Simples Nacional — mais que o dobro, para o mesmo faturamento e a mesma atividade. A regra é simples de enunciar: se a sua folha de pagamento (incluindo pró-labore) representa 28% ou mais da receita dos últimos 12 meses, sua empresa de serviços sai do Anexo V e é tributada pelo Anexo III. Neste guia, mostramos o cálculo com números reais, quem pode usar e os erros que fazem prestadores de serviço pagarem imposto a mais todo mês.
O que é o Fator R
O Fator R é a razão entre a folha de salários dos últimos 12 meses e a receita bruta dos últimos 12 meses (RBT12):
Fator R = Folha (12 meses) ÷ Receita bruta (12 meses)
- Fator R ≥ 28% → tributação pelo Anexo III (alíquota inicial de 6%);
- Fator R < 28% → tributação pelo Anexo V (alíquota inicial de 15,5%).
Entram na conta da folha: salários de funcionários, pró-labore dos sócios, e os encargos efetivamente recolhidos, como INSS patronal e FGTS. O cálculo é refeito todo mês — sua empresa pode alternar de anexo ao longo do ano. Os fundamentos completos estão no nosso guia Fator R 2026; aqui o foco é a aplicação prática.
Quem é afetado pelo Fator R
A regra vale para as atividades de serviço que a lei coloca no Anexo V, tipicamente as intelectuais e técnicas: tecnologia e desenvolvimento de software, engenharia e arquitetura, consultoria, publicidade, medicina, odontologia, psicologia, fisioterapia, jornalismo, auditoria e afins. Algumas atividades (como academias e fisioterapia) usam o Fator R para transitar entre Anexo III e V conforme o índice.
O cálculo na prática: exemplo com números
Imagine uma desenvolvedora PJ que fatura R$ 20 mil/mês (RBT12 = R$ 240 mil):
| Cenário | Sem Fator R (Anexo V) | Com Fator R (Anexo III) |
|---|---|---|
| Pró-labore mensal | R$ 1.621 (mínimo) | R$ 5.600 (28% do faturamento) |
| Simples sobre R$ 20 mil | ~R$ 3.100 (15,5%) | ~R$ 1.200 (6%) |
| INSS do sócio (11% do pró-labore) | ~R$ 178 | ~R$ 616 |
| IRPF sobre pró-labore | — | valor moderado, conforme tabela |
| Desembolso aproximado | ~R$ 3.278 | ~R$ 2.100 a 2.400 |
Mesmo pagando mais INSS e algum IRPF pelo pró-labore maior, a economia costuma ficar na casa de R$ 900 a R$ 1.200 por mês nesse perfil — acima de R$ 10 mil por ano. E há um bônus: pró-labore maior também aumenta sua base de contribuição para aposentadoria.
Os números exatos variam com faixa de faturamento e composição da folha. Simule o seu caso na Calculadora de Fator R e na Calculadora de Pró-labore.
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Os 4 erros mais comuns com o Fator R
- Esquecer que o cálculo é mensal: um mês de faturamento alto sem reajustar o pró-labore pode derrubar o índice abaixo de 28% — e jogar a apuração inteira no Anexo V;
- Considerar só o salário, sem encargos: INSS patronal e FGTS recolhidos também compõem a folha — deixá-los de fora subestima o índice;
- Definir o pró-labore “no chute”: nem tão baixo que perca o Anexo III, nem tão alto que o INSS e o IRPF comam a economia. O ponto ótimo é matemático — explicamos no guia Pró-labore 2026;
- Não revisar quando o faturamento muda: cresceu 30%? O pró-labore precisa acompanhar, ou o Fator R despenca.
Fator R vale para todo mundo?
Não. Se a alíquota efetiva do seu Anexo V for competitiva na sua faixa, ou se elevar a folha custar mais que a economia (por causa do IRPF progressivo no pró-labore alto), pode não compensar. Também não faz sentido para atividades que já estão no Anexo III por natureza. A resposta certa sai da simulação com os seus números — consulte as faixas na Tabela do Simples Nacional.
Perguntas frequentes sobre o Fator R
O que é o Fator R do Simples Nacional?
É a razão entre a folha de pagamento e a receita bruta dos últimos 12 meses. Com 28% ou mais, atividades do Anexo V passam a ser tributadas pelo Anexo III, com alíquotas menores.
O pró-labore conta como folha para o Fator R?
Sim. Pró-labore dos sócios, salários e encargos recolhidos (como INSS patronal e FGTS) compõem a folha do cálculo.
Qual a economia real de sair do Anexo V para o III?
Na primeira faixa, a alíquota inicial cai de 15,5% para 6%. Descontando o custo extra de INSS/IRPF do pró-labore maior, a economia líquida costuma superar 30% do imposto para perfis de serviço típicos.
O Fator R é calculado uma vez por ano?
Não, é mensal. A empresa pode mudar de anexo de um mês para o outro conforme folha e faturamento evoluem.
Empresa sem funcionários pode usar o Fator R?
Sim. O pró-labore do sócio sozinho pode alcançar os 28% — essa é, inclusive, a estratégia mais comum entre PJs de serviço.
Em serviços de tecnologia o efeito é dos maiores: um desenvolvedor faturando R$ 20 mil por mês paga 7,30% no Anexo III contra 16,12% no Anexo V. Veja a conta aberta na nossa página de Fator R para desenvolvedores.
Conclusão: 28% que valem milhares de reais
O Fator R é provavelmente o ajuste de maior retorno imediato disponível para prestadores de serviço no Simples: não exige mudar de atividade, contratar ninguém nem correr risco — exige cálculo certo e acompanhamento mensal. É exatamente o tipo de trabalho que separa uma contabilidade que só emite guia de uma que faz você pagar menos.
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