Recebeu uma proposta para trabalhar como PJ e não sabe quanto cobrar de salário PJ para não sair no prejuízo? A resposta curta é: um contrato PJ costuma precisar pagar de 30% a 50% acima do salário bruto de uma vaga CLT equivalente para manter o mesmo padrão de vida — em muitos casos, ainda mais. Mas o número que serve para o seu caso depende de três coisas: o que você deixa de receber na CLT, os custos que passa a pagar como empresa e o quanto quer guardar para 13º, férias e imprevistos.
Neste guia você vai encontrar a conta pronta, saber exatamente o que embutir no seu valor e entender por que virar PJ, feito do jeito certo, costuma sobrar mais no fim do mês.
Por que o salário PJ tem que ser maior que o CLT
Quando você é CLT, uma parte do seu custo total não aparece no salário líquido — ela vem em forma de benefícios e provisões que a empresa paga por fora. Ao virar PJ, esses valores deixam de ser responsabilidade do contratante e passam a ser seus. É por isso que comparar “salário CLT” com “valor PJ” na base do número cheio é o erro mais comum de quem está negociando.
Na prática, a CLT embute automaticamente:
- 13º salário: equivale a cerca de 8,33% ao mês (um salário extra por ano);
- Férias + 1/3 constitucional: algo em torno de 11,1% ao mês;
- FGTS: 8% depositados todo mês pela empresa;
- INSS patronal, aviso prévio e multa do FGTS: custos que a empresa assume e que somem quando você é PJ.
Só de 13º, férias e FGTS já estamos falando de aproximadamente 27% a mais que o PJ precisa gerar sozinho — antes de contar impostos, contador e reserva de emergência. Por isso a regra de “só o mesmo valor” não fecha.
Quer o número exato para a sua proposta? Use a Calculadora CLT x PJ da Contefy e compare, lado a lado, quanto sobra em cada modelo. Se preferir que a gente faça a conta com você, fale com um contador da Contefy no WhatsApp.
A regra prática para não errar
Existe um atalho que funciona bem para a maioria dos profissionais de serviço: pegue o salário CLT bruto e some de 30% a 50%. Quanto mais benefícios a vaga CLT oferecia (plano de saúde, vale-refeição, bônus), mais perto dos 50% você deve mirar; quanto mais “seco” era o salário, mais perto dos 30%.
Uma forma ainda mais confiável é a regra dos 70% a 80% do líquido: monte o valor PJ de modo que, depois de impostos e da sua reserva mensal para 13º e férias, sobre para você algo entre 70% e 80% do valor bruto contratado. Se sobrar menos que isso, provavelmente você está cobrando pouco.
O que nunca pode faltar dentro do seu valor PJ:
- Provisão de 13º: guarde ~8,33% de cada recebimento;
- Provisão de férias: guarde ~11% para ter um mês “pago” por ano;
- Reserva de FGTS particular: os 8% que você deixou de ter — trate como poupança obrigatória;
- Impostos da PJ: no Simples Nacional, serviços costumam ficar em torno de 6% (Anexo III, via Fator R) ou 15,5% (Anexo V) na primeira faixa;
- Custo do contador: a contabilidade online da Contefy começa em R$ 139,90/mês;
- INSS: como pró-labore, 11% sobre o valor definido — que também conta para a sua aposentadoria.
Exemplo prático: proposta de R$ 8.000
Imagine que você recebia R$ 8.000 brutos na CLT. Veja o que precisa entrar na conta para o PJ empatar:
| Item | Cálculo | Valor mensal |
|---|---|---|
| Salário-base de referência | — | R$ 8.000 |
| Provisão de 13º | 8,33% | R$ 667 |
| Provisão de férias + 1/3 | 11,1% | R$ 888 |
| Reserva “FGTS” | 8% | R$ 640 |
| Impostos (Simples, Anexo III ~6%) | sobre o faturamento | ~R$ 640 |
| Contador (contabilidade online) | fixo | R$ 140 |
| Valor PJ sugerido | soma | ~R$ 10.975 |
Ou seja, para empatar com R$ 8.000 CLT mantendo os mesmos direitos por conta própria, o valor PJ justo fica em torno de R$ 11.000 — cerca de 37% a mais. Se a vaga tinha plano de saúde e vale-refeição, some o custo desses benefícios ao número.
E aqui está o ponto que faz a pejotização valer a pena: se o contratante topar pagar esse valor (ou mais), o que sobra no seu bolso tende a ser maior que o líquido da CLT — porque a carga de imposto sobre serviço no Simples é baixa e você ganha autonomia para deduzir custos e organizar a própria renda.
Pejotização: um caminho legítimo — se estruturado do jeito certo
A pejotização é um modelo legal e cada vez mais comum no Brasil, especialmente em serviços, tecnologia e áreas criativas. Prestar serviço como PJ dá mais autonomia, costuma significar menos imposto sobre a mesma renda e é o caminho natural de quem quer crescer como profissional independente.
Todo empresário sabe que, como em qualquer contrato, pode haver questionamento — mas essa é uma avaliação de risco que cabe a cada um decidir para o seu negócio, não algo que se resolve deixando de abrir a empresa. O que a Contefy recomenda é estruturar corretamente: CNPJ com a atividade certa, contrato de prestação de serviço bem feito, emissão de nota fiscal e pró-labore definido. Feito assim, você aproveita as vantagens do modelo com organização.
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Anexo III ou Anexo V: por que isso muda seu líquido
Dentro do Simples Nacional, o serviço pode cair em duas tabelas bem diferentes. O Anexo V começa em 15,5%, enquanto o Anexo III começa em 6%. O que decide entre eles é o Fator R: se a sua folha de pagamento (incluindo pró-labore) representar 28% ou mais da receita dos últimos 12 meses, você é tributado pelo Anexo III, muito mais barato.
Para o PJ que trabalha praticamente sozinho, ajustar o pró-labore é a principal alavanca para atingir esse patamar. Não é mágica e não vale para todo mundo — por isso é importante rodar o número. Você pode simular na Calculadora de Fator R e conferir as faixas na Tabela do Simples Nacional. Se quiser comparar os modelos, vale ler também nosso conteúdo sobre INSS do autônomo x PJ.
Perguntas frequentes
Quanto a mais devo cobrar como PJ?
Como regra de mercado, de 30% a 50% acima do salário bruto CLT equivalente. O valor exato depende dos benefícios que você perde e do seu regime de imposto.
Preciso mesmo guardar dinheiro para 13º e férias?
Sim. Como PJ, ninguém deposita isso por você. Separar ~8% para 13º e ~11% para férias todo mês evita aperto no fim do ano.
Qual imposto o PJ de serviço paga?
No Simples Nacional, geralmente 6% (Anexo III, quando passa no Fator R) ou 15,5% (Anexo V) na primeira faixa, mais o INSS sobre o pró-labore.
Vale a pena virar PJ ganhando pouco?
Depende. Em valores baixos, os custos fixos (contador, INSS) pesam mais. A partir de certo patamar, o PJ passa a render mais que a CLT. A Calculadora CLT x PJ mostra o seu ponto de equilíbrio.
A Contefy ajuda a definir meu pró-labore?
Sim. Definimos o pró-labore ideal para equilibrar INSS, Fator R e a sua renda. Você também pode simular na Calculadora de Pró-labore.
Conclusão
Cobrar o valor certo como PJ não é chutar um número redondo: é somar tudo o que a CLT pagava por você (13º, férias, FGTS), os impostos da empresa e a sua reserva. Feita a conta, o valor justo costuma ficar de 30% a 50% acima do salário bruto — e, bem estruturado, sobra mais no seu bolso.
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Fontes oficiais
- Receita Federal — Simples Nacional: receita.fazenda.gov.br
- Portal gov.br — Empresas e Negócios: gov.br/empresas-e-negocios
- Lei Complementar nº 123/2006: planalto.gov.br